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Notícia: do jornal para a sala de aula

Do bate-papo entre amigos às conversas formais, tudo gira em torno das notícias que circulam na mídia. Lemos jornais, revistas periódicas, vemos telejornais, ouvimos rádio, navegamos pela Internet, a fim de ficar por dentro dos acontecimentos e mais bem qualificados para viver numa sociedade letrada.


É fundamental que os meninos e as meninas das escolas públicas dominem a leitura, sejam aptos para compreender, interpretar, selecionar e criticar as notícias veiculadas nos jornais.

Matéria-prima dos jornais, a notícia relata os fatos verdadeiros que estão acontecendo na cidade, no país, no mundo. A intenção da notícia é informar o leitor com exatidão. Mesmo tendo a pretensão de ser neutra, confiável, ela traz, em si, concepções, princípios, ideologia de quem a escreve.

Por isso, neste artigo, propomos a organização de uma sequência de atividades focadas no ensino da leitura, para que nossos alunos procurem as informações, compreendam seus sentidos, formem opinião e tornem-se leitores autônomos.

Em pauta: leitura da notícia


Notícia na mídia


• Mapear o conhecimento dos alunos sobre o gênero notícia.

• Identificar notícias que estão sendo veiculadas no rádio, na televisão e nos jornais da cidade.


Em uma conversa, pergunte aos alunos se eles acompanham as notícias que circulam nos meios de comunicação.

A seguir, peça que digam o que foi notícia, o que mais chamou atenção nos últimos dias.


Com base nos comentários da turma, anote os assuntos citados e onde foram veiculados (jornal, rádio, televisão). Observe se os alunos têm interesse e familiaridade com o mundo da informação. Aproveite para discutir com eles as características dos jornais impressos e dos telejornais.

As notícias buscam uma comunicação eficiente, precisa e de confiabilidade social. São impressas no jornal de acordo com o grau de relevância (das mais importantes para as menos importantes).


No telejornal, também há uma relação entre a importância do acontecimento e sua duração no noticiário: textos, imagens e som (cenas mostradas, tom da voz dos apresentadores, participação de comentaristas, repórteres, entrevistados).


Fatos que são notícia


• Esclarecer os objetivos da situação de leitura (buscar informação, atualizar-se, conhecer determinado assunto).

Organize os alunos em grupos e distribua jornais ou parte deles para que folheiem, explorem, leiam o material. Provoque a turma com questões que direcionem a leitura: para que lemos o jornal? Qual o nome do jornal lido? Que outras informações aparecem nele? Como os textos estão distribuídos? O que mais chamou a atenção no jornal? Oriente- os para que anotem as respostas. Durante essa atividade, aproveite para observar a participação dos alunos. Depois de um tempo, proponha que os grupos comentem suas conclusões.


Ouça com atenção as opiniões expostas.


Continue o contato dos alunos com o gênero em estudo. Selecione uma notícia que instigue a curiosidade da turma. Antes de iniciar a leitura, explore o título, o nome do autor,

o espaço do jornal em que foi publicado (caderno, seção). Leia em voz alta a notícia. Caso você preveja dificuldades dos alunos quanto ao tema e ao vocabulário do texto, procure informá-los antecipadamente, para facilitar a compreensão do que você vai ler.


Deu no jornal


• Explorar a primeira página do jornal e identificar os assun- tos noticiados.


Ofereça aos alunos o jornal do bairro ou da cidade. Proponha a eles que leiam a primeira página e, a seguir, pergunte quais são os assuntos noticiados nessa página. Peça que digam o que mais chamou a atenção: manchete, título, tema abordado, imagem ou envolvimento com a notícia. Questione os alunos acerca do que já ouviram ou leram sobre esse assunto e provoque-os para saber mais. Ajude-os a localizar a notícia no jornal e a ler o texto na íntegra. Veja se há fotos, diagramas, tabelas, gráficos, mapas e outros recursos de apoio à compreensão do fato informado. Incentive a turma a fazer comentários, opinar, argumentar. Repita essa proposta com regularidade para que os alunos se tornem leitores de jornal.


Isto é notícia


• Conhecer a estrutura do gênero notícia. Selecione uma notícia interessante e reproduza cópias suficientes para realizar o trabalho em duplas. Se possível, não recorte a notícia escolhida, deixe-a na folha, para que os alunos tenham indicadores daquele contexto: nome do jornal, data, página, caderno ou seção. Peça aos alunos que leiam atentamente a notícia. Após a leitura, oriente-os para que retomem a leitura do primeiro parágrafo. Veja se conseguem responder a algumas destas questões: Quem? Fez

o quê? A quem? Onde? Quando? Como? Por quê? Para quê? Anote, na lousa, as respostas das duplas, chamando a atenção para esses dados. Informe aos alunos a finalidade do primeiro parágrafo: destacar as informações mais importantes do fato noticiado, atraindo o leitor para a leitura do restante da notícia. Esse primeiro parágrafo da notícia recebe o nome de lead, que significa, em inglês, conduzir. Os demais parágrafos continuam narrando o fato, com acontecimentos colocados por ordem de importância.


Por trás da notícia


• Comparar manchetes, títulos e notícias sobre um mesmo fato.

• Estabelecer relação do conteúdo da notícia com outros textos lidos.

• Compreender e se posicionar criticamente diante da notícia.

Leve, para a sala de aula, notícias de um mesmo fato publicadas em diferentes jornais.


Divida a classe em grupos e peça aos alunos que leiam as notícias. Durante a leitura, oriente-os a anotarem em uma tabela o que as notícias têm de semelhante e de diferente. É importante que os alunos percebam que, embora o fato seja o mesmo, os autores podem relatá-lo de forma distinta.

A seguir, mobilize a turma a pensar sobre as anotações do quadro: qual o destaque dado para as manchetes ou títulos? Que público leitor eles atraem? Converse com os alunos acerca das informações extraídas durante a análise. Aproveite para chamar a atenção quanto aos dados veiculados (precisão da data e do lugar onde ocorreram), assim como quanto ao uso da terceira pessoa, que dá um distanciamento do fato e maior confiabilidade à notícia.


Faça perguntas à turma: as informações contidas nas notícias são imparciais ou tendenciosas? Qual é a posição de cada uma das publicações? Durante a leitura, observe se o grupo consegue estabelecer relações entre o conteúdo da notícia e outros textos. Instigue os alunos a concordarem, discordaren, criticarem e assumirem uma posição diante dos fatos.

Coisas de almanaque

Você é leitor de jornal? Está acostumado com a linguagem jornalística? É hora de testar seus conhecimentos. Pesquise

o verbete correspondente a cada número abaixo e edite seu dicionário jornalístico.


1. Registro de uma série de acontecimentos, a partir do fato de maior relevância. A estrutura desse relato é lógica; o critério de importância ou interesse envolvido em sua produção é ideológico.


2. Texto que desenvolve uma ideia ou comenta um assunto. Geralmente assinado por um especialista no tema, escritor ou jornalista.


3. Procedência da notícia. Informante oficial ou oficioso.


4. Texto de estilo enfático e equilibrado, expressa a linha editorial do jornal. Apresenta, com concisão, a questão tratada, desenvolvendo os argumentos que o jornal defende, refutando opiniões opostas e concluindo com a opinião do jornal.


5. Introduz o leitor na notícia, despertando seu interesse pelo texto já nas linhas iniciais. Responde as questões principais em torno do acontecimento (o quê, quem, quando, como, onde, por quê).


6. Palavra ou frase que, no jornalismo impresso, é colocada antes ou acima do título da matéria, para introduzi-la e complementá-la.


7. Título principal de um jornal ou de uma página.


8. Gênero jornalístico que consiste no levantamento de assuntos para contar uma história verdadeira, expor uma situação ou interpretar fatos.


Histórias descrevendo o futuro: costurando afetos e lembranças

Depois de estar entre as semifinais do Prêmio Escrevendo o Futuro e ser premiada pelo melhor relato de prática, professora é convidada a orientar netos que desejam escrever livros com as memórias dos avós.


Luiz Henrique Gurgel

Quando o ônibus que vinha de Belo Horizonte, trazendo a professora Ruth Rodrigues Oliveira e sua aluna Laís Goulart, chegou à rodoviária de Piumhi, Minas Gerais, só faltou banda de música para saudar as semifinalistas do Prêmio Escrevendo o Futuro de 2006. Na plataforma de desembarque, as duas eram aguardadas pela imprensa local, pela diretora da escola, por professores, alunos, pais e parentes. Em meio a buquês de flores, concederam entrevistas, foram beijadas e abraçadas. Ruth trazia, na bagagem, o prêmio de melhor relato de prática daquele polo, e Laís, o texto semifinalista, mais tarde publicado no jornal da cidade.


A repercussão do feito de Ruth e de Laís não parou por aí. A professora já não esperava novas surpresas quando, semanas depois, foi procurada pelo diretor de uma das principais empresas de Piumhi. Ele queria contratar Ruth para orientar a escrita de um livro com as memórias de seu sogro, Roldão Soares, fundador da empresa. O livro seria escrito pelos netos de Roldão.


Seu Mena, como Roldão é conhecido em Piumhi, tem 76 anos. De origem humilde, filho de uma família de agricultores pobres, começou a trabalhar cedo vendendo galinhas e porcos. Muitos anos depois, teve uma empresa que comercializava açúcar e álcool. Apesar do sucesso na vida, manteve os costumes e o jeito simples e acolhedor de gente da roça: gosta de acordar cedo, de prosear e de contar histórias.

Ao procurar Ruth, o diretor da empresa queria que a professora orientasse os netos de Seu Mena sobre como ouvir e transformar as lembranças do avô num belo livro de memórias. Mais do que isso: queria que a nova geração, por meio daquela história de vida, fortalecesse o sentimento de pertença, os laços de grupo familiar.


A tarefa não era simples; os nove netos tinham idade entre 11 e 25 anos e cursavam desde o Ensino Fundamental até a universidade. Ruth resolveu fazer, com os jovens escritores, as oficinas sugeridas no fascículo Memórias do Kit Itaú de Criação de Textos — o mesmo com que ela trabalhara com seus alunos no Prêmio Escrevendo o Futuro. Também usou os vídeos da série Mão e Giz, explicando como cada neto deveria proceder nas entrevistas para conseguir melhores depoimentos.

Partindo da infância pobre, passando por suas fases naturais — brincadeiras, sonhos e também por suas dificuldades e dilemas —, os netos de Seu Mena foram construindo textos e costurando lembranças. O trabalho ainda não terminou. Ruth retoma as oficinas no segundo semestre de 2007. Desta vez, vai trabalhar na elaboração e edição final dos textos, com revisões e reescritas, levando em conta as distintas impressões que netos de idade diferente tiveram do avô. O livro, ilustrado com fotos das várias fases da vida de Seu Mena, foi lançado no fim de 2007.


A experiência inédita desses “alunos” permitiu, além de conhecer boas histórias, compartilhar valores e fortalecer afetos e vínculos com esse avô tão especial.

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